Por Daniel Fiuza
A equipe técnica do projeto Segurança Hídrica e Saúde, com o Eng. Sanitarista Sênior Paulo Mário Cardoso, analisou os indicadores oficiais que o município informa ao SINISA, o sistema nacional coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA): são 14 indicadores de Água, 10 de Esgoto e 22 de Resíduos Sólidos e Limpeza Urbana. O retrato tem boas notícias e desafios importantes.
Começando pelo copo cheio: 96,58% da população urbana é atendida pela rede de água tratada, e 100% dos pontos de consumo têm hidrômetro, o que permite controlar o desperdício. A coleta de lixo também alcança 100% da área urbana.
Agora, o copo vazio: apenas 24,51% da população total é atendida por rede coletora de esgoto e, do esgoto que é coletado, 0% recebe tratamento. Na zona rural, tanto a rede de água quanto a coleta de esgoto ainda não chegaram (0% de atendimento). Outro ponto de atenção são as perdas de água na rede, um desperdício de recurso cada vez mais precioso.
Cada morador consome, em média, 188,63 litros de água por dia, acima do recomendado, o que abre espaço para campanhas de uso consciente. Já a coleta seletiva de recicláveis ainda não existe no município, uma oportunidade apontada pelos técnicos para gerar renda e reduzir o volume de lixo enterrado.
Esses números não servem para apontar culpados, e sim para orientar decisões. É com base neles que o projeto vai reunir grupos de trabalho com a prefeitura, o SAEMI e a sociedade para definir prioridades. Afinal, saneamento é a ação de saúde pública com melhor custo-benefício que existe: grande parte das doenças ligadas à água é evitável com medidas básicas.